Colecionar ou emular. Há uma verdade absoluta?
Questão polêmica. Quem gosta de games, sempre busca uma verdade. A sua verdade.
Colecionar implica em ter consoles variados, caixas, cabos, manuais, controles, panfletos e muito mais. Em alguns casos, algumas pessoas colecionam apenas algum tipo de jogo, ou algum tipo de console, ou só jogos japoneses, ou só americanos, ou simplesmente tudo o que existe.
De fato, este tipo de coleção requer espaço físico considerável, muito cuidado, paciência para guardar e limpar tudo….fora as horas incontáveis em sites de leilão, procurando pechinchas, raridades e outras coisas mais. Às vezes, o colecionador nem chega a jogar tudo o que tem: é simplesmente uma questão de ter o acervo disponível.
Já em outro perfil de colecionador, temos aqueles que jogam muito, mas que ainda fazem questão de ter tudo bonitinho: jogos originais, caixinhas, manuais, etc. Claro, tudo isso em uma proporção muito menor do que as dos colecionadores mais radicais. Nesse caso, têm-se apenas os jogos mais queridos, jogados com mais freqüência, sem aquela ânsia de ter tudo.
Por fim, temos os “Emulantes”. Aqueles que jogam via Pc ou emulam em consoles (Ps1, Ps2 e X-Box principalmente). Possuem, através da Internet, todas as roms de consoles antigos ao seu dispor. Jogam no Pc do quarto ou no X-box na sala, desde roms de MSX até jogos do poderoso Neo-Geo MVS. Uma vasta seleção de títulos que, emulados, ocupam o espaço de dois ou três porta-cd´s. Muito prático, de fato, pois economiza um espaço absurdo e dá ao jogador uma gama de jogos praticamente infindável.
Agora, qual delas é a verdade absoluta?
Nenhuma e todas.
Cada pessoa possui um perfil diferente. Alguns gostam de colecionar, outros de colecionar e jogar, outros de jogar. A “verdade” a ser buscada é a nossa própria verdade: como achamos que devemos jogar e/ou colecionar da melhor forma para nós mesmos. O que importa é que sintamo-nos bem com o que temos e como jogamos.
Pregar indiscriminadamente o seu modo de colecionar ou jogar é impor quase que tiranicamente aos outros seu ponto de vista. Tudo bem, emular tudo pode ser muito prático, ter todos os jogos originais pode ser muito bonito….mas por que isso deve ser legal para todos os outros?
É tudo uma questão de perfil. Cada pessoa deve sentir-se bem com sua coleção, seja ela para jogar, colecionar ou emular.
O certo é achar a melhor maneira para você mesmo. O errado? Achar que sua maneira é uma verdade universal e desconsiderar o ponto de vista dos outros.
E o que é legal: emulando ou colecionando, é curtir, entender e compartilhar do ponto de vista de um amigo.
Cristiano Kolling
Aumento de interatividade ou diminuição da individualidade?
Essa pergunta paira em minha cabeça desde que Nintendo DS e PSP revelaram ser possível jogar através da Internet. Mas como será que isso nos afeta?
Bom, se bem me lembro, há muito tempo que os Pc´s utilizam-se desse recurso. Jogar on-line com outras pessoas, em tempo real, através da Internet.
Porém, todo esse “conforto” e “luxo” possui o seu preço. Estando conectado a um servidor e jogando, alguém sabe aonde você está. Tudo certo? Perfeito.
Agora imagine que esse alguém seja uma empresa interessada em saber o que você faz, ou até mesmo pessoas muito mal intencionadas. Vendo você, sabendo aonde está, a que horas e o que está fazendo. Opa, a nossa individualidade acaba de ser ameaçada.
O que eu quero dizer é que o advento da interação on-line via Internet tornou-se algo potencialmente perigoso, a partir de uma visão ”por trás dos bastidores”, daqueles que “organizam o show”. Enquanto com aquele jogo novo que você comprou (ou pirateou) vinha um sensacional modo de jogo on-line, também “secretamente” veio um software que identifica você para uma possível empresa. Ela sabe aonde está, quantas horas fica on-line jogando, que micro você tem e qual a sua conexão de Internet. Informações muito importantes sobre um perfil pessoal, que para uma empresa, valem ouro.
É claro: ao se desligar o micro, tudo termina. Você está livre, de volta ao cotidiano da sua insignificância como indivíduo, invisível entre a massa da sociedade. O tempo que você gasta no Pc é ridiculamente pequeno se comparado ao resto das coisas que você faz (bom, às vezes não, em alguns casos…).
Agora imagine esse poder de localização aliado a um videogame portátil e que se conecta à Internet sem fios. “Voilá!” Agora você pode ser encontrado em qualquer lugar, a qualquer momento! Poderia receber propagandas de redes de fast-food no exato momento em que estiver jogando qualquer coisa no horário de almoço ou jantar do local aonde se encontra! Ou que tal informações sobre o tempo em outras cidades, caso esteja em uma rodoviária ou aeroporto? Esses são exemplos POSITIVOS, pois há muito mais o que se pode fazer.. e coisas muito piores (como rastrear cada usuário através de IP ou GPS).
Enfim, a capacidade de se jogar on-line com portáteis, ao meu ver, teve seu preço: você passa a ser monitorado, visto, enxergado, em qualquer lugar que possuir conexão Wi-Fi para Internet. A cada dia que passa, perdemos mais espaço, temos menos individualidade. Sim, isso já acontece com os telefones celulares. Senti o mesmo quando chegaram aqui no Brasil em 1993. Porém, isso se espalha para outras áreas da tecnologia (como os games) e tentam nos cercar, nos achar de todas as maneiras possíveis.
Longe de mim criar uma “teoria da conspiração”, mas me parece uma tendência natural das comunicações a perda de nossa ”invisibilidade” particular frente ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação on-line e em tempo real.
E toda vez que jogo Nintendo DS on-line, não posso deixar de pensar: “A Nintendo sabe exatamente aonde estou”.
Cristiano Kolling
Back to the business…
É isso aí… de volta aos negócios!
Após um período de vacas magras, volto a postar no velho Blog do Retrogamer. Espero que esse ano eu tenha mais ânimo e tempo para postar com mais freqüência!
Abraços a todos!
Cristiano Kolling