Aumento de interatividade ou diminuição da individualidade?
Essa pergunta paira em minha cabeça desde que Nintendo DS e PSP revelaram ser possível jogar através da Internet. Mas como será que isso nos afeta?
Bom, se bem me lembro, há muito tempo que os Pc´s utilizam-se desse recurso. Jogar on-line com outras pessoas, em tempo real, através da Internet.
Porém, todo esse “conforto” e “luxo” possui o seu preço. Estando conectado a um servidor e jogando, alguém sabe aonde você está. Tudo certo? Perfeito.
Agora imagine que esse alguém seja uma empresa interessada em saber o que você faz, ou até mesmo pessoas muito mal intencionadas. Vendo você, sabendo aonde está, a que horas e o que está fazendo. Opa, a nossa individualidade acaba de ser ameaçada.
O que eu quero dizer é que o advento da interação on-line via Internet tornou-se algo potencialmente perigoso, a partir de uma visão ”por trás dos bastidores”, daqueles que “organizam o show”. Enquanto com aquele jogo novo que você comprou (ou pirateou) vinha um sensacional modo de jogo on-line, também “secretamente” veio um software que identifica você para uma possível empresa. Ela sabe aonde está, quantas horas fica on-line jogando, que micro você tem e qual a sua conexão de Internet. Informações muito importantes sobre um perfil pessoal, que para uma empresa, valem ouro.
É claro: ao se desligar o micro, tudo termina. Você está livre, de volta ao cotidiano da sua insignificância como indivíduo, invisível entre a massa da sociedade. O tempo que você gasta no Pc é ridiculamente pequeno se comparado ao resto das coisas que você faz (bom, às vezes não, em alguns casos…).
Agora imagine esse poder de localização aliado a um videogame portátil e que se conecta à Internet sem fios. “Voilá!” Agora você pode ser encontrado em qualquer lugar, a qualquer momento! Poderia receber propagandas de redes de fast-food no exato momento em que estiver jogando qualquer coisa no horário de almoço ou jantar do local aonde se encontra! Ou que tal informações sobre o tempo em outras cidades, caso esteja em uma rodoviária ou aeroporto? Esses são exemplos POSITIVOS, pois há muito mais o que se pode fazer.. e coisas muito piores (como rastrear cada usuário através de IP ou GPS).
Enfim, a capacidade de se jogar on-line com portáteis, ao meu ver, teve seu preço: você passa a ser monitorado, visto, enxergado, em qualquer lugar que possuir conexão Wi-Fi para Internet. A cada dia que passa, perdemos mais espaço, temos menos individualidade. Sim, isso já acontece com os telefones celulares. Senti o mesmo quando chegaram aqui no Brasil em 1993. Porém, isso se espalha para outras áreas da tecnologia (como os games) e tentam nos cercar, nos achar de todas as maneiras possíveis.
Longe de mim criar uma “teoria da conspiração”, mas me parece uma tendência natural das comunicações a perda de nossa ”invisibilidade” particular frente ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação on-line e em tempo real.
E toda vez que jogo Nintendo DS on-line, não posso deixar de pensar: “A Nintendo sabe exatamente aonde estou”.
Cristiano Kolling
em 22 Fevereiro, 2007 em 9:08 pm
Grande Cris!
Me lembro de conversarmos sobre isso!
Sem dúvida algo de tirar o sono!
O DS só fez tirar o sono da moçada, desde
que foi lançado, hehehe!
Vê se escreve mais, Fazendeiro!
Precisamos todos conhecer o que tu
cultivas aí na cachola!
em 23 Fevereiro, 2007 em 1:28 pm
Sim, eles sabem e coletam suas informações. Isso vai para uma base de dados e é feito um estudo de Datawarehouse. Você é categorizado e recebe um número de identificação.
Ai fica fácil de traçar o público alvo:
Ah, o Cris joga RPG e Street Fighter. Sabe quem vai receber a propagando do novo RPG da Square?
O mundo caminha pra esse lado, felizmente. Ou não.
Cris, categorize os posts carinha.. fica mais organizado!
Abraço!
em 26 Fevereiro, 2007 em 9:26 am
Com relação à perda da individualidade: observe que as empresas promovem uma forma de interação que, na verdade, não é uma interação autêntica. Tudo bem, você pode encontrar um parceiro online, jogar umas partidas, mas é só. Na maioria dos casos, o que acontece é um encontro furtivo e, depois, cada um para seu lado.
Classifico como uma “interação descartável”. E num mundo cada vez mais filosoficamente individualista (reflexo do capitalismo, claro), essas formas de interação acabam por nos enganar, pois promovem interação sem integração.
Resumindo: estimula-se uma interação virtual, sendo que, às vezes, nem conhecemos nosso vizinho de porta. Ou conversa com ela apenas por MSN…
Abração, mano velho!!